Opinião


Ségio Roxo da Fonseca
OS OLHOS DA SENHORITA

Na metade do século XX seria possível ouvir por toda a parte uma música que se tornou um verdadeiro hino da tão brava e leal cidade de São Sebastião de Ribeirão Preto.

A cidade poderia ter dois hinos? Com certeza Ribeirão Preto tem inúmeros hinos, todos eles encabeçados pelo histórico poema que documenta os nossos antigos cafezais, musicados pelo dom da inesquecível Professora Diva Tarlá.

Mas outro falava das jovens que tinham olhos a animar a produção de versos do poema anônimo. A música, se bem me lembro, era do Armandinho. Tratava-se de um bolero. .

“Senhorita” era seu nome batismal. É um dos mais belos boleros que conheço. Como disse, falava da senhorita dotada de belos olhos.
Tenho procurado alguém que tivesse guardado a partitura, verdadeiro documento histórico da cidade de Ribeirão Preto. A minha investigação tem sempre batido numa parede sem portas. Não temos muita inclinação para guardar relíquias do passado. Quando guardamos temos medo de compartilhar seus mistérios com os nossos conhecidos e nossos desconhecidos.

Suponho que seria um momento inesquecível passear pela Praça XV, no dia do aniversário da cidade, ouvindo, ao longe, o som da “Senhorita” do Armandinho desenvolvendo-se pelas nuvens da memória, ressuscitando muita coisa que se nega a desaparecer da nossa presença.
A música ribeirãopretana e do seu compositor bem mereciam ser perpetuados batizando-se com eles uma de uma das nossas ruas: Rua Armandinho da Senhorita.

Sérgio Roxo da Fonseca - Professor das Faculdades de Direito UESP/Franca e COC/Ribeirão - roxofonseca@gmail.com


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