Opinião


R.Dartan

O Medo da Cor
Histórias de um sétimo olhar (11)

A tinta que pinta não tem ideologia, no entanto, os que a usam dividem suas cores nos lados da ponte ou dos muros. Muitos morreram com o olhar cinza por causa das cores. Que paradoxo, estamos Barroco? Senhoras e senhores! Vai começar o espetáculo! As cortinas não se abrem porque são de ferro. Eis o panorama das décadas de 30 e 40, época de situações controversas, mesmo assim, há luz, há câmera e há ação!
O cinema como todas as artes comunga com seu tempo, “reza todas as missas”. A realidade do colorido encanta mais do que o texto, a fala, e resistente a ela foi Charlie Chaplin, seguindo com seu cinema revolucionário, que TEMPOS MODERNOS são esses? E para ratificar sua genialidade, em 1940 rende-se ao diálogo, o cinema falado, com O GRANDE DITADOR. Mas, ainda precisamos nos voltar para a década de 30, marcada por acontecimentos peculiares. Vejamos...
Em 1930 o Código de Produção é adaptado pela indústria americana para “reger a filmagem de cenas que abordem sexo, religião, violência e outros assuntos sensíveis”, mas apenas em 1934 este código começa a ser rigidamente aplicado, mantendo-se até meados da década de 60. Fico a imaginar como teria sido o cinema americano sem esse código “disciplinador”. Pois bem, em 1932, enquanto em terras tupiniquins, Minas gerais e São Paulo deflagravam uma revolução, no território Yanke a Kodak lança no mercado o filme de 8mm destinado a realizadores amadores. Os estúdios de Hollywood recuperam-se finançeiramente e a fusão da Twentieth Century Pictures e a Fox Film Corporation leva a criação da 20th Century Fox. Enquanto isso, na Alemanha, a magistral cineasta nazista Leni Riefenstahl realiza um filme de propaganda nazi: O Triunfo da Vontade. Independente da eminência de uma 2º Guerra Mundial, o cinema já tinha se tornado um rico instrumento ideológico. Nessa onda geopolítica de poder, em 1936, Hollywood já dominava o cinema brasileiro, as distribuidoras investiam consideráveis quantias no sistema de som das nossas salas. Ocorreu o que não se esperava, o público brasileiro se acostuma rapidamente a ler legendas, adeus identidade nacional mesmo com os modernistas. Assim, sob a falsa mascara de que estava ajudando o nosso cinema, os americanos defendiam explicitamente a imitação dos seus filmes e suas ideologias. A Cinédia já fazia cópia do modelo deles e não demorou, para que perdesse sua maior estrela: Carmem Miranda. Em 1937, o 20th Century Fox foi o primeiro estúdio a usar o rádio para promover suas produções, resultado, em 1942, dos 409 filmes lançados no país apenas 1 era brasileiro.
Mas, como apesar dos espinhos temos as rosas que perfumam os ares, em 1940, Hattie Mcdaniel ganha o Oscar na categoria de melhor atriz coadjuvante por seu desempenho em E o Vento levou... (1939), tornando-se a primeira artista de origem africana a receber este prêmio.
Nos mares e nos ares dessas fronteiras há muitas imagens, histórias para sempre.
TALK 11
Corta!
Edita para a próxima década.

   R. Dartan Professor de teatro do COC, mímico e compositor


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