Opinião



R.Dartan

Histórias de um sétimo olhar (30)
Ah! Se fosse fábula!

Mais um ano passa e passarinhamos histórias de se contar, revisitando cantos e esquinas, porões e bastidores como os sets de filmagens. É o ano passado a limpo, 2006, repleto de boas memórias, coisas de se fabular. As fábulas são interessantes, comportam todos os devaneios, o realismo fantástico e os romances melados de formigar os doces, por isso é bom contar como de fosse. Tão logo acabara as festanças inicias dos meses, após o parágrafo “Era uma vez...”, nos surpreendemos com uma deliciosa comédia, tremendamente sensível e com bons toques de drama: A PEQUENA MISS SUNSHINE com direção dos estreantes Valerie Faris e Jonathan Dayton. Não repercutiu muito por aqui, aliás, algumas obras “invisíveis” são merecedoras de aplausos. Foi uma produção de baixo custo, sem efeitos mirabolantes, porém com um bom roteiro, dizendo que era uma vez a saga de uma família viajando numa Kombi para participar de um concurso para miss infantil, sonho da menina Sunshine, assim acontecimentos fantásticos vão descortinando o caminho. Começar bem, não nos dá a garantia de que vamos terminar no mesmo nível, mas, vejamos...


Na sequencia de fatos que trilham diversos caminhos, emplacou-se outro sucesso, porém maiúsculo, capitaneado pela brilhante e talentosa atriz Meryl Streep, daí assistimos mais uma comédia, O DIABO VESTE PRADA de David Frankel que conta que era uma vez o mundo de dentro da moda. Nessa onda bem sucedida made in Hollywood, seguimos para outras consideráveis produções como: OS INFILTRADOS de Martin Scorsese, para muitos seu melhor filme, BOA NOITE e BOA SORTE do estreante diretor George Clooney que também assina o roteiro com Grant Heslov. Um filme traz importante momento da história americana, foi quando o âncora de TV Edward R. Morrow entrou em confronto com o senador Joseph McCarthy (Macarthismo) ao expor as táticas e mentiras usadas por ele em sua obsessiva caça aos supostos comunistas, Charlie Chaplin foi vítima dessa perseguição. Outras boas películas surgem, porém na boa receita das fábulas, nunca se revela tudo, andamos por um país de Alicies, sempre prestes ao inesperado, e para uma boa onda, outras nem tanto virão, como os chamados “Blockbusters”: Missão Impossivel 3, X-Men O confronto final, Piratas do Caribe : O baú da morte etc. Chegam e ocupam o espaço da mídia ofuscando filmes como: V de VINGANÇA de James Mc Teigne, adaptado da série de quadrinhos do mesmo nome de Alan Moore e David Lloyd, publicado pela DC Comics sob a marca Vertigo; o gracioso desenho A CASA MONSTRO de Gil Kenan com os produtores executivos Robert Zemeckis e Steven Spielberg, e concluindo as obras relevantes nos descaminhos desse mundo em movimento, o realismo fantástico em O LABIRINTO DO FAUNO, filme mexicano e espanhol dirigido por Guilhermo del Toro.
Simplesmente arrebatador, uma fábula sombria cheia de metáforas e alegorias. E na trilha tortuosa do ano que foi aos ventos, em segredos soprados, deixo aqui um sem fim de coisas para depois, como estórias Roseanas da terceira margem do lado de cá.
O que seria de nós sem as FÁBULAS? Vivemos de estórias de mentirinha!
TAKE 30!
Sem cortes, ainda não inteiro!

  R. Dartan Professor de teatro do COC, mímico e compositor


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