Opinião


R.Dartan

Mídias polarizadas - Polaróides
Histórias de um sétimo olhar (12)

Não há olho que tudo vê, senão, o que seria do mistério? A inquietude move os homens e a arte constrói ilusões para supor os mistérios.
As circunstancias da guerra fizeram com que a Inglaterra e EUA produzissem filmes de apelo patriótico, e que também não foi diferente no outro pólo, URSS. Do que há noticias? Inspirado no tema/tempo/guerra, em 1942 o diretor Michael Curtiz lança, o que viria ser um sucesso popular, CASA-BLANCA, um drama romântico na cidade marroquina Casa-blanca, que se encontra sob controle da França, tendo a participação das estrelas Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. Esta película foi considerada como um dos melhores filmes da história do cinema americano que em 1943 ganhou vários prêmios do Oscar, inclusive o de melhor filme. Esta década de 40 foi uma espécie de "Era do cinema moderno americano", surgindo excelentes autores como Orson Welles, que revolucionaria a estética da arte cinematográfica em "Cidadão Kane" (Ctizen Kane, 1941) com uma narrativa não linear e uma inovação nos ângulos de filmagem. Muitas outras obras foram produzidas e transitavam entre o Clássico Americano e o Movimento do Film Noir. Citando algumas: AS VINHAS DA IRA (1940), PACTO DE SANGUE (1944), A FELICIDADE NÃO SE COMPRA (1946) de Frank Capra, PAIXÃO DOS FORTES (1946) de John Ford. Com fim da guerra inicia-se outra, o cinema americano depara-se com o famigerado "Macartismo", instaurando um clima de intolerância e perseguição a atores, atrizes, autores, cineastas etc., uma verdadeira "caça as bruxas", favorecendo assim uma proliferação de musicais como SINFONIA EM PARIS (1951) de Vicente Minelli e CANTANDO NA CHUVA (1952) de Stanley e Gene Kelly. Enfim, iniciaram-se os anos 50 com os já consagrados musicais e faroestes, os Film Noir estavam sendo vigiados de perto. Um fato conhecido com um famoso da época foi Charlie Chaplin que foi acusado de comunista, e assim retorna a Inglaterra. Quem tem interesse pelo tema há um filme quase que recente, BOA NOITE E BOA SORTE, dirigido por George Clooney.
Aqui, na parte do atlântico que nos cabe, a década de 40 chega com um dos gêneros cinematográficos que mais fizeram sucesso nessas terras: as Chanchadas. A grande sacada dos produtores da época era o fato de lançarem seus filmes no final do ano, por uma razão simples, lançavam junto à macha de carnaval do ano seguinte, quase que sempre era sucesso garantido. As músicas também eram veiculadas nas várias rádios do país, assim, a maioria das canções era reconhecida em todo território nacional. Uma das produtoras, a Atlântida, tinha como principal objetivo, difundir o cinema brasileiro em grande escala, de maneira que os filmes fossem vistos e comentados por todo país, não somente em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro. Conseguiram isso com uma formula bem simples, temas que se aproximavam cada vez mais do cotidiano da população, através de artistas conhecidos e venerados como, Dercy Gonçalves, Ankito, Oscarito e Grande Otelo. O estilo caiu nas graças da platéia, virou mania, popularidade como a do filme "CARNAVAL DO FOGO" (1949) do diretor Watson Macedo, sucesso que se estendeu a década de 50, e tudo ocorreu porque trazia no seu enredo tudo que era necessário para atrair o público: mocinho, mocinha, vilão e o personagem engraçado que cativava. Qualquer semelhança com as novelas da rede globo é mera coincidência, afinal, "os tempos são outros... para outros". Voltando ao passado, como não nos lembrarmos do grande MAZZAROPI? Devo tratá-lo em capítulo à parte.
O cinema foi e ainda nos é fonte de informação. Acredito que muitos hão de recordar do Canal 100, a forma cinejornal teve presente registrando o século, no Brasil, desde os anos 50 o canal 100 criou a legenda dos grandes noticiários, mas, principalmente ele nos lembra os lances do futebol. O criador Carlos Niemeyer, começou a fazer cinema nos anos 50, produzindo com Jean Manzon alguns documentários sobre o Rio de Janeiro. Em 1958 fundou sua própria produtora que mais tarde se especializou em cinejornal, surgia o Canal 100 que de 1959 a 1986 produziu um cinejornal por semana, formando um importante acervo cinematográfico dos acontecimentos jornalísticos da época. (aproximadamente setenta mil minutos de imagens)
O nome Canal 100 foi uma analogia à televisão que até recentemente se identificava pelo número do Canal. Canal 13(Tv Rio), Canal 6 (Tv Tupi), Canal 4 (Tv Globo), etc. Canal 100 era na visão de Carlos Niemeyer um número inatingível pela Televisão. Eis aí outra questão: quando a televisão surgiu acreditava-se que ela substituiria o Cinema. Ainda se acredita nisso?
Não há olho que tudo vê, senão, o que seria do mistério? Não há câmera que tudo capte, senão, o que seria de nos?
Talk 12
Próxima cena, Mazzaropi!
R. Dartan é professor de teatro do COC, mímico e compositor

   R. Dartan Professor de teatro do COC, mímico e compositor


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