Opinião


Brasil Salomão

Nós Advogados e Gravatas

Faz poucos dias, na 4ª feira, 15 de março de 2017,  por  volta das  09h00min, o Juiz Luiz Henrique Marques da Rocha, titular da 21ª Vara do Trabalho, de Brasília, DF, PROIBIU o advogado Hugo Fidelis Batista, de participar de audiência porque estava sem gravata.  É um fato interessante e que merece algumas reflexões por parte de nós todos : magistrados, promotores, procuradores e advogados, ou seja, os atores do mundo jurídico.


            Com  75 anos e caminhando, ainda em 2017, para os 76, sou, evidentemente, de uma geração mais formal, mais ortodoxa, pelo que nunca me incomodou usar terno ( no meu caso é, realmente, “terno”, ou seja : calças, paletós e coletes, que são as 3 peças que compõe  a palavra “terno”) . Lógico que, com a gravata, sapatos de couro (ao invés de tênis, quédis e outros tipos esportivos). Acho mesmo que, dependendo do evento, aqui incluídas as audiências, sustentações em Cortes Administrativas ou Judiciais, gosto de usar terno com gravata, e, me sinto bem!


            Há que se respeitar, todavia, que os tempos são outros, e, sobretudo em cidades de climas tórridos, como Ribeirão Preto, é possível se apresentar adequadamente vestido, e, sem o uso da gravata.  Não vejo nenhum desmerecimento ao Poder Judiciário por  um advogado comparecer a uma audiência sem o acessório. Lembra-se, já faz alguns anos, que um juiz da comarca de Cravinhos, no verão, desobrigou ao uso da dita gravata, mas, depois, foi induzido a reformar sua atitude.


            Alguns fatos, históricos, sobre o tema podem ser interessantes. Começando por 1972, ou seja, há 45 anos, os acadêmicos de Direito da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, USP, fizeram  um movimento denominado ABOLIÇÃO DA ESGRAVATURA, inequivocamente, se aproveitando do ato da Abolição da Escravatura.  O então  Diretor da renomada Faculdade de Direito acolheu o pedido e, em 08 de março de 1972, liberou os estudantes do uso da gravata, e, com tempo também foi permitido às alunas/mulheres o uso da calça comprida. Foram conquistas.


            O humor com que o movimento se batizou ABOLIÇÃO DA ESGRAVATURA, repercutiu e levou as Cortes a gerarem atos administrativos diversos, liberando o uso de roupas formais com o terno e a gravata. O Tribunal Regional do Trabalho, da 1ª Região, editou o ato n. 109, em 2016, dizendo “ FACULTA AOS SENHORES MAGISTRADOS, ADVOGADOS E SERVIDORES, no período de 1º de dezembro de 2016 á 17 de março de 2017, não utilizarem paletó e gravata...”. Antes, o Presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo deu a público a RESOLUÇÃO n. 004, de 2014, dizendo que “Considerando o termos do pedido da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Espírito Santo resolve FACULTAR aos advogados o uso de indumentária diversa do terno...”.


            E, assim, devagar, se caminha para a abolição do uso da indumentária tradicional. Bom? Ruim? Não se sabe. De minha parte, acredito que não se altera em nada porque o importante mesmo, não é a roupa, e, sim, o conteúdo ético e cultural de quem a veste!  Não se pode acreditar que “ o hábito faz o monge” .
            Não existe norma obrigando ao uso do terno e da gravata. O que há é uma tradição e um costume, talvez, realmente, mais adequados a outros tempos! De minha parte reitero: gosto de usar terno e gravata! Continuarei a faze-lo, enquanto exercer a advocacia!
           

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