Opinião


André Barioni
EDUCAÇÃO ESCOLAR:
como incluir o professor na escola?

O professor é a pessoa mais lembrada quando o assunto é a educação escolar. Por esse motivo, senso comum ou não, é o professor o maior responsável por tudo o que ocorre na escola. Contudo, parece que, a cada dia que se passa, esse profissional está cada vez mais excluído do seu meio.
Ensinar seria o seu objetivo. Mas, na escola pública, principalmente, o objetivo é outro. Foi modificado pela função social caritativa que a escola adotou desde quando oportunizou a todos o acesso ao “ensino” e reorientou a política educacional; essa última, alterada a cada quatro anos e, por isso, desorganizada, pelo menos na cabeça dos muitos professores das redes de ensino. As várias políticas educacionais culminaram na descrença de uma educação de qualidade de verdade. Ou seja, construtivismo, sequência didática, habilidades e competências e tantas outras coisas atuais que se pede para o professor que não vê a mudança real do/no seu trabalho. Bastaria um espaço que cultiva o ensino e, talvez, a aprendizagem. Um espaço propício ao conteúdo, a decoreba, a avaliação sem reclamação, culminariam no modelo ideal para quem quer aprender.
Mas, não. Pois para “instaurar na escola a igualdade [e prover a função social], o ensino é nivelado por baixo”, utilizando-me das palavras de Roberto Leal Lobo e Silva Filho (artigo – “A escola hoje e os alunos que não aprendem” Folha de São Paulo, A3, 23/out/2012).
Um modelo que tudo pode, onde o aluno reclama da prova, da aula, da escola, do conteúdo e tudo, tudo o que é possível por já entender a sua real função, mesmo que a “escola” ainda não tenha entendido. Mas o pior não é isso, mas ter sempre quem os escuta! Agora imaginem isso em um ambiente de progressão continuada, em um lugar inseguro que mais parece um presídio, misturado a falta de interesse e de punição para os alunos. Tudo pode! Só não precisa estudar. Não porque eles não querem, mas porque o modelo de escola não permite isso, pois alteraram os objetivos de uma verdadeira escola em beneficio à política.
O modelo atual privilegia somente o aluno e não o ensino deste.
A moda agora, pensando a escola assim, “sendo boa para todos”, caritativa para a população mais carente, é a da escola integral, que cai como uma luva para o político – deixe-o aqui na área de lazer que nós cuidamos do seu filho para você enquanto trabalha, ou mesmo queira um tempo para o descanso. O professor (monitor) cuida para você.
Entenda, escola não é para todos. Bastaria garantir vaga para aqueles que querem estudar. Crie áreas de lazer para a função social, mas crie separadamente da escola. Ali sim, faça ser integral, dando comida, roupa, kits, cursos voltados para a formação humana, mas não misture isso com a escola. Crie aí a função do monitor, mas não deixe que o professor se torne um monitor, como vem sendo forçado a ser. Nenhum professor se formou para ser monitor. A formação e a responsabilidade do monitor é outra, diferente da do professor.
Na escola, permita que o professor tenha formação continuada e isso significa horário livre para o seu estudo. O professor sabe estudar, precisa estudar, mas não faz por falta de tempo e espaço na escola. O professor deveria ter um período para desenvolver pesquisas e fazer da escola um laboratório de estudos pedagógicos.
Já o aluno, ao adentrar nesse espaço, já deveria saber previamente o que irá encontrar e quais são os requisitos mínimos para permanecer aí. O aluno não tem que ser aceito na/pela escola e isso o motiva a querer entrar. Mas isso seria muito para um sistema que beneficia um modelo com função social caritativa.
Dessa forma, o que nos resta é assistir o seu fim: dar bolsa de estudo para os alunos do Ensino Médio para que esses ameacem os professores, caso os reprove. Isto é, uma forma de garantir que o aluno passe aumentando assim os índices na educação, e/ou, mudar as disciplinas para as áreas do conhecimento, sem uma adequação profissional, desconsiderando a importância de cada ciência. Isso é previsão, pode ou não acontecer.
Vamos pensar um novo modelo de escola. Vamos fazer, novamente, escola. Vamos profissionalizar a escola e, aqui, entenda que não é o professor, pois esse possui trabalho diferente dos outros. Profissionalizar significa estabelecer normas e organizar as funções, bem como proibir mudança na legislação durante o ano letivo, por exemplo. Ou seja, professor não tem que advertir aluno (e fazer o burocrático), não pode perder o tempo dos demais preenchendo papelada sem fim e objetivo significativo. Essas coisas precisam mudar imediatamente, se desejamos uma escola de qualidade! Para cuidar do pedagógico, ele precisa que o aluno estude.

André Barioni mestre em geografia UFU/MG - Professos das redes públicas e privadas de ensino Twitter - @mobilidaderp


Enfoque Ribeirão
E-mail - enfoqueribeião@hotmail.com -
(16) 91379777 -3235.0865